“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8.32). Devemos comemorar o Natal? O Natal é, para muitos, uma época de celebração, união familiar, presentes e decorações festivas. É uma das celebrações mais populares no mundo, marcada por luzes, músicas, troca de presentes e reuniões familiares. Para muitos, é uma data de profunda significância espiritual, pois se acredita celebrar o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Mas, para o cristão, ele deve ser mais do que isso — ou menos? Será que essa festa amplamente difundida realmente reflete o nascimento de Cristo, ou há algo mais profundo e oculto por trás dessa comemoração que merece ser analisado à luz da Bíblia e da história? Este artigo busca examinar o Natal com honestidade bíblica e fundamentos históricos, e como podemos alinhar nossa fé com a verdade das Escrituras, respondendo à pergunta: devemos, como cristãos, celebrar o Natal?
O que é o Natal e de onde veio a celebração
Natal significa, literalmente, “nascimento”. Será que, de fato, devemos comemorar o Natal? Num contexto geral, diz referir ao nascimento de Jesus Cristo, a vinda do Salvador ao mundo. Essa data, marcada no calendário em 25 de dezembro, é celebrada, por muitos, como um marco de esperança e renovação. Contudo, quando buscamos nas Escrituras, nossa fonte de autoridade para a fé e a prática, referências ao nascimento de Jesus, percebemos que a Bíblia não menciona datas específicas nem orientações para comemorá-lo e não há qualquer menção de uma celebração anual em honra a esse evento Na verdade, o foco da mensagem bíblica recai sobre a obra redentora de Cristo: Sua morte e ressurreição.
A celebração do Natal, como conhecemos hoje, não surge das práticas dos primeiros cristãos. Apenas no século IV a Igreja Romana começou a estabelecer essa data como oficial. A razão para a escolha de 25 de dezembro, no entanto, não estava ligada a um registro bíblico ou revelação divina, mas à tentativa de cristianizar festividades pagãs. Roma, à época, era o centro do império e também das celebrações de cultos pagãos, como a Saturnália, dedicada ao deus Saturno, e o Sol Invictus, um festival em honra ao “sol invencível”. Esses festivais eram marcados por banquetes, troca de presentes e outros elementos que vemos replicados no Natal atual.
Nota bíblica
Ao contrário, a ênfase bíblica é enfática na missão redentora de Jesus Cristo: Sua morte e ressurreição. Textos como 1ª Coríntios 15.3,4 destacam que o Evangelho gira em torno do sacrifício de Jesus pelos nossos pecados e Sua vitória sobre a morte. Assim, enquanto o nascimento de Cristo é significativo como o início da Sua encarnação, a Bíblia nos direciona a lembrar e proclamar a Sua morte, como ordenado na Ceia do Senhor (Lucas 22.19).
Outro ponto digno de reflexão é que Jesus existe desde a eternidade. João 1.1-3 declara que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Ele não começou a existir em Belém, mas entrou no tempo e espaço para cumprir o plano de salvação. Isso nos lembra que Sua majestade vai muito além do que qualquer celebração humana poderia expressar. Corroborando essa narrativa, destacamos ainda os textos: Colossenses 1.16; João 8.57; 1ª João 1.1; João 1.1-3,14; João 6.38 e Gálatas 4.45.
O que a Bíblia diz sobre o nascimento de Jesus
Embora a Bíblia registre eventos relacionados ao nascimento de Jesus nos Evangelhos de Mateus e Lucas, ela não enfatiza a data ou sugere a necessidade de comemorá-lo anualmente. As narrativas bíblicas destacam que Jesus nasceu em circunstâncias simples, em Belém, e que pastores foram os primeiros a testemunhar Seu nascimento. Entretanto, a ênfase bíblica não está em celebrar o evento físico do nascimento, mas no propósito de Sua vinda ao mundo.
João 1.1-14 nos lembra que Jesus é o Verbo eterno, que existia antes de todas as coisas e que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Isso reforça a verdade de que a encarnação de Cristo não deve ser vista apenas como um momento temporal, mas como o cumprimento de um plano eterno. Sua obra redentora — morte e ressurreição — é o ponto central da fé cristã. Assim, o nascimento de Jesus é importante, mas não o foco principal da mensagem do Evangelho.
Além disso, a Bíblia nos alerta para não acrescentarmos e nem diminuirmos algo da Palavra de Deus, conforme descrito em Deuteronômio 4.2. Se Deus não ordenou ou instituiu uma celebração específica para o nascimento de Cristo, devemos ser cautelosos ao abraçar práticas que não têm respaldo bíblico, especialmente se essas práticas tiverem origens duvidosas.
A origem pagã do Natal e por que 25 de dezembro
Uma análise honesta sobre o Natal não pode ignorar suas raízes históricas. A escolha de 25 de dezembro como data da celebração do nascimento de Cristo foi uma tentativa da Igreja em Roma de substituir festas pagãs já estabelecidas. Durante o festival do Sol Invictus, celebrado no solstício de inverno, os romanos adoravam o sol como fonte de vida e poder. De maneira semelhante, a Saturnália era marcada por festas excessivas, presentes e até mesmo inversão de papéis sociais.
Ao longo do tempo, elementos dessas celebrações foram adaptados e incorporados ao que conhecemos hoje como Natal. Por exemplo, a prática de enfeitar árvores remonta a cultos pagãos na Babilônia. Segundo tradições, um pinheiro teria brotado no local onde Tamuz — figura associada ao deus Sol e filho de Semíramis, a mãe-esposa de Ninrode — morreu. Esse pinheiro tornou-se um símbolo de renascimento e era decorado em rituais que glorificavam deuses pagãos. Olhando para esse fato histórico, devemos comemorar o Natal?
O profeta Jeremias advertiu contra práticas semelhantes em Jeremias 10.3-5, descrevendo costumes pagãos que envolviam cortar árvores, decorá-las e adorá-las. Embora o contexto fosse diferente, a semelhança com as tradições modernas do Natal é notável.
Essas práticas culturais incorporadas pela Igreja Romana, ao longo do templo, ao calendário cristão, adaptando-as ao contexto do nascimento de Jesus, buscava, então, substituir os rituais pagãos por celebrações cristãs, mas acabou permitindo o sincretismo. Embora bem-intencionada, essa abordagem criou uma mistura de símbolos e práticas que ainda hoje geram confusão e questionamentos. Ainda assim, devemos comemorar o Natal?
A história de Ninrode e sua influência nas festividades
Para entender melhor as raízes pagãs do Natal, é importante revisitar a história de Ninrode. Ele é mencionado na Bíblia como um poderoso caçador e líder rebelde contra Deus (Gênesis 10.8-12). Segundo tradições extrabíblicas, Ninrode fundou a Babilônia, um centro de idolatria e rebeldia. Após sua morte, sua mãe-esposa, Semíramis, proclamou que ele havia se tornado o deus Sol e que Tamuz, seu filho, era a reencarnação de Ninrode.
Essa narrativa deu origem a práticas religiosas que incluíam a adoração ao Sol, celebrações em 25 de dezembro e a veneração de árvores como símbolos de vida e renovação. Essas tradições foram amplamente disseminadas e adaptadas por diferentes culturas, eventualmente encontrando espaço dentro do cristianismo através da celebração do Natal. Diante disso, devemos comemorar Natal?
Ezequiel 8.14,15 relata como mulheres choravam por Tamuz em práticas abomináveis diante de Deus. Essa conexão entre Tamuz e o Natal é um forte argumento contra a celebração dessa data, uma vez que suas origens estão enraizadas em cultos pagãos e idolatria.
Esses elementos revelam como o Natal se tornou uma mistura de práticas, ditas cristãs e culturais, obscurecendo o verdadeiro significado de Cristo e de Sua obra redentora.
O espírito natalino e seu significado
Muitas pessoas defendem o Natal como uma época de união, paz e generosidade. A troca de presentes, as reuniões familiares e a ceia de Natal são vistas como formas de reforçar os laços de amor e amizade. Por essa razão, devemos comemorar o Natal? Contudo, é necessário refletir: essas práticas realmente glorificam a Deus, ou servem mais ao comércio e às tradições humanas? Embora a troca de presentes possa ser uma expressão de amor e gratidão, ela frequentemente se desvia para o materialismo.
O “espírito natalino” é frequentemente descrito como um sentimento de alegria, bondade e reconciliação. Embora esses sejam valores positivos, devemos nos perguntar qual é a verdadeira motivação por trás deles. Será que estamos celebrando o nascimento de Cristo ou participando de uma festa secular, onde o foco está em consumo, entretenimento e paganismo disfarçado de brilho e luz?
Além disso, outro fato é o Natal ser amplamente celebrado em países onde Jesus nem é reconhecido (todo ou em parte), como exemplo o Japão, China, Índia, entre outros. Não! O Natal não é uma celebração centrada em Cristo, mas uma visão distorcida de Jesus. Sua majestade como Rei dos Reis não é destaque nessa ocasião e a cultura envolvente do natal o retrata como um bebê indefeso na manjedoura, perpetuando a imagem de um “Jesus que nunca cresce”, sempre no colo da sua mãe Maria. Assim, devemos comemorar o Natal? É o plágio da “sagrada família” Ninrode, Semírames e Tamuz. Essa visão limitada negligencia a verdade de que Jesus é o Salvador ressurreto, que reina à destra de Deus e que voltará em glória.
Como o cristão deve encarar o Natal
Diante de tudo isso, como o cristão deve agir? Devemos comemorar o Natal ou devemos rejeitar o Natal completamente, ou é possível ressignificar essa data? Primeiramente, devemos evitar o sincretismo, ou seja, a mistura de práticas cristãs com elementos pagãos. A Bíblia nos chama à santidade e à pureza de adoração (1ª Pedro 1.16). Se a origem e elementos do natalinos têm origens claramente idólatras e pagãs, é prudente afastar-nos desse tipo de prática.
Por outro lado, alguns, usando da boa-fé, querem tornar o Natal como uma oportunidade para testemunhar sobre Cristo. Entretanto, devemos entender que, o fato de termos uma oportunidade para falar da obra redentora de Cristo não significa praticar aquilo que o mundo pratica. Afinal, temos quase 365 dias para anunciar a Jesus e sua obra de salvação. Certamente, não será fácil mudar uma mentalidade cativa, construída ao longo de 1.700 anos.
Lembremos ainda que, antes do século IV não havia nenhuma celebração relacionada ao nascimento de Jesus. Os primeiros cristãos, a igreja primitiva e o próprio Jesus nunca mencionou ou incentivou algo a respeito. Assim, devemos estar atentos às sutilezas estabelecidas no decorrer da história.
Conclusão
O Natal, como conhecemos, é uma mistura complexa de tradições culturais, comerciais, pagãs religiosas, cuja essência original tem raízes questionáveis. Desta forma, a pergunta ainda ecoa: Devemos comemorar o Natal?
Precisamos, em todo o tempo, examinar nossas práticas e tradições, certificando-nos de que elas estão alinhadas com a Palavra de Deus; se, de fato, estamos perseverando na doutrina dos Apóstolos (Atos 2.42). Que possamos nos desviar de todo embaraço e engano travestido de brilho e luz: 2ª coríntios 11.14 “E não é maravilha, porque o próprio satanás se transfigura em anjo de luz”.
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8.32). Que a verdade de Cristo seja o centro de nossa adoração. João 8.36 “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.